Em 18 de abril de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou forte repercussão ao utilizar a expressão “desequilíbrio de parafuso” ao se referir a pessoas com problemas de saúde mental. A declaração foi feita durante uma reunião em Brasília, convocada para discutir medidas de combate à violência nas escolas brasileiras.

Durante o encontro, Lula mencionou uma suposta estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) e relacionou pessoas com condições de saúde mental à possibilidade de tragédias. A fala gerou críticas pelo uso de uma expressão considerada ofensiva e pela associação entre transtornos mentais e comportamentos violentos.

“A OMS sempre afirmou que na humanidade deve haver 15% de pessoas com algum problema de deficiência mental. Se esse número é verdadeiro, e você pega o Brasil com 220 milhões de habitantes, significa que temos quase 30 milhões de pessoas com problema de desequilíbrio de parafuso. Pode uma hora acontecer uma desgraça”, declarou Lula.

Declaração de Lula provoca críticas e acusações de capacitismo

A declaração do presidente gerou reações de pessoas e organizações ligadas à defesa dos direitos das pessoas com deficiência e à saúde mental. Entre as críticas, está o entendimento de que esse tipo de linguagem reforça o preconceito contra pessoas com transtornos psiquiátricos e contribui para a disseminação de estereótipos.

A Associação Mãos de Mães de Pessoas com Esquizofrenia (AMME) manifestou repúdio à fala nas redes sociais e questionou publicamente a postura do chefe do Executivo.

Em publicação no Instagram, a entidade declarou:

“Fala capacitista vinda do Presidente da República, Luis Inácio - Lula. Além desta fala totalmente desrespeitosa para com os que têm transtornos mentais, ainda complementa que são violentos. Você vai se calar diante disso ou vai dizer que foi só uma brincadeirinha?”.

A manifestação colocou em evidência o debate sobre capacitismo, preconceito e responsabilidade das autoridades públicas ao abordar questões relacionadas à saúde mental.

O que dizem os dados sobre saúde mental?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1 bilhão de pessoas em todo o mundo conviviam com algum transtorno mental, conforme o Relatório Mundial sobre a Saúde Mental, publicado em 2022.

A organização também informou que, no primeiro ano da pandemia de Covid-19, a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou 25%.

Os dados reforçam a importância do acesso ao tratamento, do acolhimento e do combate à discriminação contra pessoas com transtornos mentais.

Um episódio que continua gerando debate

A declaração de Lula, feita durante uma reunião oficial sobre violência nas escolas, tornou-se motivo de discussão sobre saúde mental, capacitismo e o discurso de autoridades políticas.

O episódio levanta uma questão importante: como representantes públicos devem abordar problemas de saúde mental sem reforçar preconceitos contra milhões de pessoas que precisam de acolhimento, tratamento e respeito?